Setembro de 1989. Eram 03:00 da madrugada quando me apresentei no 12BI, munido de um atestado médico que, apenas na minha imaginação, me livraria do serviço militar obrigatório. Quanta inocência.
É claro que eu não tinha qualquer motivo para ser dispensado, mas, ainda assim, confiei naquele documento mais falso que nota de três. Para eventuais perguntas, cheguei a estudar os "sintomas" da doença, formas de tratamento, dosagens do medicamento, enfim, tudo. Ou melhor, quase tudo! Não sabia qual a cor da caixa do remédio. Isso mesmo. O fdp do médico perguntou qual a cor da caixa do remédio. Resultado: conscrito! Fiquei arrasado.
Contudo, o que eu não sabia é que começava ali uma das páginas mais divertidas e bonitas da minha vida: o serviço militar obrigatório. Servi no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Belo Horizonte, no longínquo ano de 1990.
É incrível como esse ano e as pessoas que conheci ali mudaram minha vida para sempre. Desde os primeiros dias, já sabia que não seria uma experiência comum.
A entrada.
Desde o curso básico, no 1º pelotão da 1ª companhia, comandado pelo ten. Barbabela, passando pelo primeiro acampamento (operação boina) e, finalmente, pela intendência, princípios tais como lealdade, respeito e hierarquia formaram minha base como militar.
O rancho no acampamento.
E os casos?! Quem de nós não se lembra das sessões de ordem unida com o Major Marzano (que não era lagoa, lembra), ou de um tal Silveira, que perdeu o ferrolho do fuzil e foi direto para lama, da calma do Kim, do "safismo" do Wildmann (fuscão), de uma certa estátua (ou busto) danificada e restaurada pelo Frederico (FBA), do al. Souza (permissão major...), meu Amigo Momose, dos serviços de guarda na garagem ou na vila militar, da balalaica... enfim, coisas demais.
Campo de futebol.
A guarda.
O guerreiro.
Quem não serviu talvez não entenda a amizade que se forma na caserna. Perdoem o sentimentalismo (quem sabe fruto dos 40), mas arrisco dizer que é mais que amizade. Sinto que tenho 139 irmãos de farda. Para mim ninguém morreu.
A intendência.
Todo o curso.
Formatura. Moreno, desde então, com o copo.
E não poderia haver prova mais cabal dessa ligação como o que aconteceu no último sábado: depois de 21 anos, a turma de 1990 do CPOR/BH se reuniu num churrasco, quando 118 dos 140 alunos compareceram com suas famílias ou mesmo sozinhos.
E o moreno continua com o copo.
Foi um reencontro mágico. Permitam-se dizer que, mais do que rever meus irmãos de guerra, tive um encontro comigo mesmo, numa insólita viagem ao jovem de 19 anos que aprendeu no exército a ser um homem melhor.
Foi muito bom verificar que estamos bem e que mantivemos a união e a jovialidade de 21 anos atrás.
O jeito que vivemos nossas vidas depois do quartel foi uma decisão de cada um. Quanto a mim, conto que estudei, segui no EB, virei pai (do Pedro, hoje com 18 anos), casei, separei, casei de novo e ... chega!
Ten. Silveira. 4º D. Sup. Juiz de Fora.
Meu filho Pedro e minha nora Rose.
Minha "Love", Renata e nosso labrador Schumacher.
Guerreiros, foi muito bom reencontrá-los e ter a certeza que podemos, ainda hoje, contar com a lealdade de cada um.
Tenho muita honra de ter servido com os Senhores e orgulho que pertencer a essa turma. A todos, presto minha continência:
E, como termino todo post desse blog com uma dica, aí vai: existe uma série da HBO que de chama "Band of Brothers" que retrata muito bem todo o acima. VEJAM.
Um salve ao Al. Figueiredo e até a próxima.
É isso.
Fotos: Eu mesmo e reprodução (retiradas do grupo da turma no facebook, de autoria dos demais alunos)





























