quinta-feira, 24 de março de 2011

CPOR - Turma de 1990: depois de 21 anos, o reencontro.

Setembro de 1989. Eram 03:00 da madrugada quando me apresentei no 12BI, munido de um atestado médico que, apenas na minha imaginação, me livraria do serviço militar obrigatório. Quanta inocência.

É claro que eu não tinha qualquer motivo para ser dispensado, mas, ainda assim, confiei naquele documento mais falso que nota de três. Para eventuais perguntas, cheguei a estudar os "sintomas" da doença, formas de tratamento, dosagens do medicamento, enfim, tudo. Ou melhor, quase tudo! Não sabia qual a cor da caixa do remédio. Isso mesmo. O fdp do médico perguntou qual a cor da caixa do remédio. Resultado: conscrito! Fiquei arrasado.

Contudo, o que eu não sabia é que começava ali uma das páginas mais divertidas e bonitas da minha vida: o serviço militar obrigatório. Servi no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Belo Horizonte, no longínquo ano de 1990.

É incrível como esse ano e as pessoas que conheci ali mudaram minha vida para sempre. Desde os primeiros dias, já sabia que não seria uma experiência comum.

A entrada.
Desde o curso básico, no 1º pelotão da 1ª companhia, comandado pelo ten. Barbabela, passando pelo primeiro acampamento (operação boina) e, finalmente, pela intendência, princípios tais como lealdade, respeito e hierarquia formaram minha base como militar.
 O rancho no acampamento.

E os casos?! Quem de nós não se lembra das sessões de ordem unida com o Major Marzano (que não era lagoa, lembra), ou de um tal Silveira, que perdeu o ferrolho do fuzil e foi direto para lama, da calma do Kim, do "safismo" do Wildmann (fuscão), de uma certa estátua (ou busto) danificada e restaurada pelo Frederico (FBA), do al. Souza (permissão major...), meu Amigo Momose, dos serviços de guarda na garagem ou na vila militar, da balalaica... enfim, coisas demais.

Campo de futebol. 
A guarda. 
 O guerreiro.
Quem não serviu talvez não entenda a amizade que se forma na caserna. Perdoem o sentimentalismo (quem sabe fruto dos 40), mas arrisco dizer que é mais que amizade. Sinto que tenho 139 irmãos de farda. Para mim ninguém morreu.

 A intendência.



 Todo o curso.
 Formatura. Moreno, desde então, com o copo.
E não poderia haver prova mais cabal dessa ligação como o que aconteceu no último sábado: depois de 21 anos, a turma de 1990 do CPOR/BH se reuniu num churrasco, quando 118 dos 140 alunos compareceram com suas famílias ou mesmo sozinhos.

E o moreno continua com o copo.

Foi um reencontro mágico. Permitam-se dizer que, mais do que rever meus irmãos de guerra, tive um encontro comigo mesmo, numa insólita viagem ao jovem de 19 anos que aprendeu no exército a ser um homem melhor.

Foi muito bom verificar que estamos bem e que mantivemos a união e a jovialidade de 21 anos atrás.

O jeito que vivemos nossas vidas depois do quartel foi uma decisão de cada um. Quanto a mim, conto que estudei, segui no EB, virei pai (do Pedro, hoje com 18 anos), casei, separei, casei de novo e ... chega!

 Ten. Silveira. 4º D. Sup. Juiz de Fora.
Meu filho Pedro e minha nora Rose.
Minha "Love", Renata e nosso labrador Schumacher.

Guerreiros, foi muito bom reencontrá-los e ter a certeza que podemos, ainda hoje, contar com a lealdade de cada um.

Tenho muita honra de ter servido com os Senhores e orgulho que pertencer a essa turma. A todos, presto minha continência:

E, como termino todo post desse blog com uma dica, aí vai: existe uma série da HBO que de chama "Band of Brothers" que retrata muito bem todo o acima. VEJAM.

Um salve ao Al. Figueiredo e até a próxima.

É isso.

Fotos: Eu mesmo e reprodução (retiradas do grupo da turma no facebook, de autoria dos demais alunos) 

13 comentários:

  1. Meu caro, Silveira! Estava ansioso para ler seu texto. Ontem passei os olhos por algumas linhas de seu blog. Gostei do que li, mas, sobretudo, de constatar que você tem sabido viver, arte incomum para a maioria dos mortais. Parabéns! Aproveito para reafirmar o que sempre preguei. Servir Exército, além de ter sido uma honra para mim (fui voluntário), valeu para que pudesse conhecer homens diferenciados. Não por esta razão, nos reencontramos depois de 21 anos com a mesma energia de outrora. Vida longa, meu camarada!!!

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  2. Silveira, também estava aguardando seu texto após ter dado uma olhada em seu Blog. Não podia deixar de dizer que contou o que todos sentimos no reencontro. Impressionante a força que teve este reencontro e o tanto que nos demosntramos unidos. Esta amizade acima de tudo!

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  3. Rosalvo Moreno Jr.24 de março de 2011 21:45

    Olá, Silveira,
    muito bacanas o post e o blog!
    Também sou fã de incursões gastronômicas, principalmente se acompanhadas de uma cerveja gelada e uma boa música, de preferência ao vivo.
    Para o meu gosto, o evento perfeito é o do tipo gastronômico-etílico-musical.
    Parabéns e aquele abraço.

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  4. Aminnnnnnnnnnnnnnnnn, caro amigo que saudade de bater um papo contigo! Estou lançando a idéia de um novo encontro ná no CPOR! Cara, as pessoas não entendem o nível de conexão que nos liga! Bacana que vc gostou do blog. Aparece mais.

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  5. Bueno, viu que tem vc na arquibancada do campo de futebol né? Conversamos muito pouco! Precisamos por a toda conversa em dia!

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  6. Moreno... impagável Moreno! Escuta, vamos marcar um programa destes!? Falando sério. Eu e Renata estamos nesta vib! Portanto sinta-se convidado.

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  7. Silveira, muito bom o seu texto. Conseguiu expressar o sentimo que nos une. Parabéns!
    Aproveito para participá-lo que estou inaugurando um bistrô no Vale do Sol com uma proposta diferenciada. Em meados de abril deve estar pronto. Espero ter a oportunidade de apresentar o empreendimento a vc. Um forte abraço, Eduardo LEITE.

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  8. Al Silveira, simplesmente mágico o seu texto. Não pude comparecer desta feita, mas já estou pronto para a próxima! Somos mesmo muito mais que irmãos; disse isso ao Wildmann nesta semana.
    Um enorme abraço de seu irmão de armas Lopez!

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  9. Silveira!
    Parabens... que lindo... tudo... tudo...
    Sou filha de um militar q hoje esta em outro plano, mas vivi com ele por todas as Cias q passamos, este respeito... companheirismo... BRACO FORTE MAO AMIGA...estou emocionada pois lembro muito o q vivi com meu pai, sou uma milica frustrada mas q incorporou as virtudes destes homens de farda. Adorei as fotos, nas do meu pai ele tem varias com o copo na mao...rsss... mas sempre sorrindo e feliz.
    Um abraco guri... felicidades com tua CHANEL...rsss Buenas.
    Vera

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  10. Muito legal seu post, ao lê-lo senti na pele toda emoção que vivi na Turma de Intendência do CPOR/BH 93.
    Suprir!!!!!
    Abraços,
    Claiston Cosme DAMIÃO Ferreira
    2ºTen.Intendente / R2

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  11. muito legal eu tambem fiquei com muita saudade da quele ano 1989/90.eu sou 2ºbatalhão engenharia de combate
    de pinda.parabens pelo companheiro.um braço sd santos nº665 eu moro em taubaté trabalho alstom
    mail josé.roberto.santos@power.alstom.com
    caro amigo si quiser bater um papo velho tempo esto ai.

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  12. Parabens a todos voces. Vejo que como eu, tambem existem pessoas que nada tem de vergonha do tempo de caserna. Eu servi em 1991 no antigo 24 Batalhao de Cacadores em Sao Luis. Foram 11 meses de pura hierarquia, disciplina e cuidando do proximo. Lembro das palavras do Ten. Augusto " Senhores lembrem-se que no campo de batalha assim como na vida devemos sempre nos ajudar porque nos momentos mas dificeis do combate so vamos ter uns aos outros, mas nao confundam camaradagem com essa merda de corporativismo. SELVA". Parabens a todos os nossos irmaos de armas.

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